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Música

Bell Marques vê Guns N’ Roses em Salvador e transforma uma noite de rock em retrato de uma cidade sem fronteiras

Ao lado de Aninha Marques, Rafa Marques e Pipo Marques, artista acompanhou o show na Arena Fonte Nova; apresentação teve abertura dos Raimundos e integrou a rota brasileira da turnê 2026, que segue para Fortaleza, São Luís e Belém

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Bell Marques vê Guns N’ Roses em Salvador e transforma uma noite de rock em retrato de uma cidade sem fronteiras
Foto: Instagram

Na noite da última quarta-feira, 15 de abril, Bell Marques trocou o protagonismo do palco pela experiência da plateia e foi à Arena Fonte Nova, em Salvador, para assistir ao show do Guns N’ Roses ao lado da esposa, Aninha Marques, e dos filhos, Rafa Marques e Pipo Marques. Em suas redes sociais, o cantor resumiu o momento com uma frase simples, mas reveladora: “Dia de curtir com a família e amigos o show do Guns n Roses!”. A imagem, compartilhada diretamente do estádio, não foi apenas mais um registro social de celebridade em evento concorrido; ela condensou algo maior sobre a cultura brasileira e, sobretudo, baiana: a capacidade de fazer conviver no mesmo espaço o ícone do axé e uma das bandas mais emblemáticas do hard rock mundial sem que haja qualquer estranhamento, como se a cidade dissesse, com naturalidade, que identidade forte não é prisão estética, é justamente liberdade para circular entre mundos. A própria Arena Fonte Nova, em sua agenda oficial, tratou a data como histórica ao informar que esta foi a primeira apresentação do Guns N’ Roses em Salvador e ao destacar a presença de Axl Rose, Slash e Duff McKagan como parte de um “momento histórico” para os fãs, reforçando ainda o papel do estádio como palco de grandes espetáculos na Bahia.

O que se viu ao redor do show confirma que não se tratava apenas de um grande evento internacional encaixado no calendário da capital baiana, mas de um acontecimento urbano em sentido pleno. Antes da atração principal, os Raimundos subiram ao palco e fizeram o aquecimento com clássicos do rock nacional, em uma abertura que ajudou a construir a ponte entre memórias afetivas brasileiras e a chegada do repertório estrangeiro. Segundo a cobertura do Alô Alô Bahia, a movimentação no entorno da Fonte Nova foi intensa desde cedo, com fãs ocupando áreas próximas ao Dique do Tororó, bares, calçadas e áreas verdes enquanto aguardavam a abertura dos portões. Os portões foram abertos às 16h, e o show principal começou por volta das 20h, dentro de uma operação já divulgada também em materiais informativos do evento. Quando a banda liderada por Axl Rose assumiu a noite, Salvador respondeu como respondem as grandes cidades quando percebem que estão vivendo um capítulo que merece ser lembrado: cantando em coro sucessos como “Sweet Child O’ Mine”, “November Rain” e “Welcome to the Jungle”. Há um dado simbólico nisso tudo que merece atenção. Durante décadas, parte do debate cultural brasileiro tentou separar o gosto popular em gavetas fixas, como se quem nascesse em determinada tradição musical precisasse obedecer a ela para sempre. Mas a imagem de Bell Marques, artista profundamente associado à música baiana, assistindo com entusiasmo a um show do Guns N’ Roses em família, desmonta essa lógica com uma elegância que nenhum manifesto teórico conseguiria. Talvez a pergunta mais interessante da noite não seja quantas pessoas estavam ali ou qual foi a música mais cantada, mas outra: por que ainda insistimos em pensar a cultura por muros, se o público já vive há muito tempo por travessias?

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A apresentação em Salvador também ganha peso porque não foi um episódio isolado, e sim parte de uma engrenagem maior da turnê 2026 do Guns N’ Roses pelo país. No site oficial da banda, a rota brasileira segue após a capital baiana com show em Fortaleza no dia 18 de abril, na Arena Castelão; depois passa por São Luís em 21 de abril, no Estádio Governador João Castelo, o Castelão; e chega a Belém em 25 de abril, no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão. As datas oficiais também indicam Raimundos como special guest nessas próximas paradas, o que revela uma escolha de turnê que não é banal: em vez de apenas transportar uma máquina internacional de um ponto a outro, o circuito procura dialogar com o repertório afetivo brasileiro por meio de uma banda que também marcou gerações. Isso ajuda a entender por que a noite de Salvador reverberou tanto. Ela não foi apenas sobre nostalgia rockeira, nem somente sobre a presença de famosos na arquibancada; foi sobre o modo como o Brasil consome espetáculo, mistura referências e ressignifica ídolos. Em um país acostumado a transformar festas em linguagem coletiva, ver Bell Marques no público de um show do Guns N’ Roses talvez seja menos um desvio e mais uma confirmação: a cultura popular mais viva não é a que se fecha para se proteger, mas a que se expande para absorver, reinterpretar e devolver tudo com sotaque próprio. No fim, a arena recebeu uma banda global, mas quem saiu retratada ali foi a própria Salvador: uma cidade capaz de receber o peso mítico do rock internacional sem perder a sua assinatura, uma cidade em que o riff e o refrão convivem com a mesma naturalidade com que convivem o carnaval, o estádio, a memória e a família.

Joás Sanct

Fotógrafo profissional, cinegrafista e editor audiovisual com 30 anos no mercado de entretenimento. Produtor cultural apaixonado por contar histórias através da imagem. Headbanger raiz, fã de Judas Priest e Slayer. Amante da leitura, da escrita e de novas culturas. Viajante por natureza, sempre em busca de inspiração pelo mundo.

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