A noite de domingo, 7 de junho, no Arraiá do Povo, na Orla da Atalaia, em Aracaju, foi marcada por uma programação voltada ao forró, ao repertório sentimental nordestino e à força de atrações que dialogam diretamente com o público junino. Em uma semana já movimentada por grandes nomes nacionais e regionais, o palco principal recebeu Flor de Maracujá, Dorgival Dantas e Magníficos, enquanto Elton Mota assumiu o Palco 360º durante os intervalos. A combinação deu à noite um perfil diferente das apresentações mais aceleradas dos dias anteriores: o domingo teve clima de encontro familiar, presença de forrozeiros de várias gerações e uma sequência musical que colocou a sanfona, o romantismo e a tradição das bandas de forró no centro da festa. Mesmo com previsão de instabilidade ao longo do dia, Aracaju chegou à noite com cenário mais favorável para o público, sem registro expressivo de chuva nos principais boletins consultados, o que ajudou na circulação pela área do evento, pela Vila do Forró e pelos espaços de convivência montados na Orla. A programação integrou a edição 2026 do Arraiá do Povo, que segue até 28 de junho, dentro de um ciclo junino mais amplo, com a Vila do Forró funcionando até 26 de julho e reunindo música, teatro, quadrilhas, grupos culturais, gastronomia e manifestações populares ligadas ao São João sergipano.
A abertura da noite com Flor de Maracujá reforçou a presença de uma banda que vem construindo relação contínua com o período junino sergipano. O grupo chegou ao Arraiá do Povo em 2026 com uma agenda voltada para grandes festas do Nordeste e com retorno ao evento pelo quinto ano consecutivo, dado que ajuda a explicar a familiaridade com o público da Orla. No palco, a proposta da banda funcionou como porta de entrada para a sequência da noite: forró direto, repertório festivo e condução voltada para quem chega cedo ao espaço, circula entre barracas, encontra amigos e começa a ocupar a arena antes das atrações de maior apelo nacional. Em noites de domingo, esse papel costuma ser decisivo, porque o público se forma de maneira gradual e mistura moradores de Aracaju, visitantes do interior e turistas que aproveitam a programação gratuita à beira-mar. A presença da Flor de Maracujá também manteve uma característica importante da grade do Arraiá do Povo: a abertura de espaço para atrações que sustentam o circuito regional do forró e ajudam a dar identidade ao evento, sem deixar que a programação dependa apenas dos nomes mais conhecidos nacionalmente. A estrutura montada pelo Governo de Sergipe, com palco principal de grande porte, área de circulação ampliada, entradas organizadas e capacidade estimada para receber dezenas de milhares de pessoas por noite, deu suporte a essa dinâmica de público, que se divide entre quem acompanha os shows de frente para o palco e quem circula pela Vila do Forró, pelos pontos gastronômicos e pelos demais atrativos da Orla.
Na sequência, Dorgival Dantas levou ao palco principal o peso de uma trajetória construída entre a sanfona, a composição e a interpretação de canções que se tornaram parte do repertório afetivo do forró nordestino. Natural de Olho-d’Água do Borges, no Rio Grande do Norte, o cantor, compositor, instrumentista e produtor musical é reconhecido como um dos nomes mais importantes do forró romântico contemporâneo, não apenas por sua carreira como intérprete, mas também pela quantidade de músicas gravadas por artistas de diferentes segmentos da música brasileira. Em um evento junino, sua presença tem efeito imediato porque aproxima o público de uma sonoridade que conversa com a tradição do São João sem se limitar ao formato pé de serra: há sanfona, há letra sentimental, há refrão conhecido e há uma forma de apresentação que costuma transformar o show em coro coletivo. No Arraiá do Povo, esse repertório ocupou a parte central da noite e deu ao domingo um tom de pausa dentro da maratona de grandes atrações da edição. Em vez de uma apresentação marcada apenas por impacto visual ou por sucessos recentes, Dorgival representou a força da canção nordestina que atravessa festas, vaquejadas, rádios, plataformas digitais e palcos juninos. Para Sergipe, que vende o ciclo junino como elemento de cultura, turismo e economia, esse tipo de atração tem papel estratégico: atrai público, mantém a identidade regional da festa e reafirma o forró como linguagem principal de um evento que também abre espaço para sertanejo, arrocha, piseiro e outros gêneros populares ao longo do mês.
O encerramento com Magníficos ampliou esse caminho pelo forró romântico e levou à Orla da Atalaia uma das bandas mais identificadas com a fase das grandes formações de forró eletrônico dos anos 1990 e 2000. Criada em Monteiro, no interior da Paraíba, a banda se consolidou como referência do gênero ao combinar letras românticas, arranjos dançantes e uma estética de palco que marcou gerações de fãs no Nordeste. No Arraiá do Povo, a presença da Magníficos funcionou como fechamento natural para uma noite desenhada em torno da memória musical do forró e de sua permanência no calendário junino. O público que acompanhou a sequência Flor de Maracujá, Dorgival Dantas e Magníficos encontrou três camadas de uma mesma cena: o forró regional em atividade, o compositor-sanfoneiro de repertório conhecido e a banda que ajudou a moldar o imaginário do forró romântico em grandes palcos. Esse encadeamento deu unidade ao domingo e evitou uma programação dispersa. Nos intervalos, Elton Mota manteve o ritmo no Palco 360º, espaço que tem sido usado para reduzir vazios entre os shows principais e valorizar atrações locais e regionais. A escolha é importante porque mantém o público em movimento, distribui a atenção dentro da arena e reforça a presença de artistas sergipanos no evento. Na prática, o Palco 360º funciona como um elo entre uma atração e outra, evitando queda de energia no espaço e ampliando a experiência de quem não acompanha apenas o show principal, mas vive a festa como circulação, encontro, dança e permanência na Orla.










Além dos shows do palco principal, a noite de domingo também teve programação na Vila do Forró, que se consolidou como complemento essencial do Arraiá do Povo. No Coreto, a partir das 18h, a programação reuniu Ricarddo Cantor, Junior Brava e Erica Barbozza. No Barracão, a partir das 19h, passaram Balança Eu, Quadrilha Junina Pisa na Brasa e Elias do Acordeon. O Teatro na Vila recebeu, às 18h, o espetáculo “Deste Nóp”, de Denni Ellin, e, às 20h, “O Casamento de Maria Chiquinha”, da Cia Os Tripulantes. Essa divisão de espaços ajuda a explicar por que a programação da Orla não se resume ao palco principal. Enquanto parte do público acompanha as atrações nacionais e regionais de maior alcance, outro fluxo se forma em torno de apresentações culturais, quadrilhas, teatro e artistas sergipanos, criando uma ocupação mais ampla da festa. O domingo, portanto, não foi apenas uma noite de shows: foi mais um capítulo da estratégia de transformar o São João de Sergipe em produto cultural, turístico e econômico, com programação gratuita, circulação de famílias, presença de trabalhadores informais, movimentação de bares, restaurantes, hotéis e transporte, além de uma vitrine para artistas locais. Com Flor de Maracujá, Dorgival Dantas, Magníficos e Elton Mota, a noite reafirmou o Arraiá do Povo como um espaço em que o forró segue sendo o eixo principal, mesmo dentro de uma grade que se diversifica para atrair diferentes públicos ao longo de junho.
Serviço
Arraiá do Povo — domingo, 7 de junho
Local: Orla da Atalaia, Aracaju
Palco principal: Flor de Maracujá, Dorgival Dantas e Magníficos
Palco 360º: Elton Mota
Vila do Forró — domingo, 7 de junho
Coreto, a partir das 18h: Ricarddo Cantor, Junior Brava e Erica Barbozza
Barracão, a partir das 19h: Balança Eu, Quadrilha Junina Pisa na Brasa e Elias do Acordeon
Teatro na Vila: 18h — “Deste Nóp”, Denni Ellin; 20h — “O Casamento de Maria Chiquinha”, Cia Os Tripulantes


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