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Festejos Juninos

Forró da Advocacia leva shows, estrutura ampliada e clima junino antecipado a Aracaju no dia 24

Evento da OAB Sergipe será realizado no Centro de Convenções AM Malls, após o Encontro Regional da Jovem Advocacia do Nordeste, com atrações em dois palcos e operação pensada para atravessar a madrugada

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Forró da Advocacia leva shows, estrutura ampliada e clima junino antecipado a Aracaju no dia 24
Foto: Divulgação

O Forró da Advocacia 2026 será realizado em 24 de abril, a partir das 20h, no Centro de Convenções AM Malls, em Aracaju, e chega à agenda sergipana como um evento que tenta ocupar dois espaços ao mesmo tempo: o da confraternização da advocacia e o do calendário cultural mais amplo da capital. Promovida pela OAB Sergipe por meio da Caixa de Assistência dos Advogados de Sergipe, a festa acontece logo depois do VIII Encontro Regional da Jovem Advocacia do Nordeste, marcado para os dias 22 e 23, o que dá à programação um peso que vai além do entretenimento. Na prática, a instituição emenda um encontro de formação e articulação profissional com uma grande celebração junina, num movimento que mistura imagem pública, integração de classe e disputa por relevância fora do ambiente jurídico. O dado central é esse: o forró deixa de ser apenas apêndice festivo e passa a funcionar como continuação simbólica de uma semana em que a advocacia tenta se projetar como grupo organizado, presente e visível na vida social de Aracaju. Não por acaso, o evento aparece também no calendário oficial do turismo estadual. Isso o desloca de uma lógica meramente interna e o insere num circuito maior, em que festa, consumo, circulação de público e identidade cultural se encontram.

A programação anunciada mostra que a organização decidiu tratar a edição de 2026 como uma operação de porte, e não como simples reunião com show. No palco principal, estão confirmados Luan Estilizado, Igor Ativado, Muleka Safada e Forrozão das Antigas. No palco 360°, entram Bia Brasil e Dedé Brasil, escalados para manter o som ativo nos intervalos e impedir a quebra de ritmo que costuma esvaziar festas longas. Em torno disso, a estrutura inclui trio pé de serra, quadrilha junina, Vila do Forró e ambientação temática. O que isso produz, na prática, é uma tentativa clara de transformar o evento numa experiência contínua, e não numa sucessão de apresentações isoladas. A lógica é simples: se a noite foi desenhada para começar às 20h e seguir madrugada adentro, não basta ter nomes conhecidos; é preciso administrar fluxo, temperatura e permanência. Por isso a divisão entre palco principal e palco alternativo importa tanto. Ela não serve apenas para enfeitar a divulgação, mas para dizer ao público que haverá ocupação constante do espaço. Também chama atenção a composição do line-up. Em vez de depender de um único artista para arrastar toda a expectativa da noite, a curadoria distribui o peso da programação entre nomes que dialogam com diferentes faixas de público, do forró mais romântico ao repertório de apelo mais imediato, preservando o eixo popular da festa. Esse formato ajuda a explicar por que o Forró da Advocacia já não pode ser lido apenas como evento corporativo. Ele é, cada vez mais, uma peça do calendário de abril que tenta abrir o clima junino antes de maio ganhar força.

A parte operacional reforça essa ambição. A divulgação oficial aponta open food, open bar, brinquedoteca, comidas típicas e venda organizada entre ingresso individual e mesas para quatro pessoas, além de comercialização online e pontos físicos na sede da CAASE, na sede da OAB/SE, na sala da ASSAT no TRT, na Sala da Advocacia do Fórum Gumersindo Bessa e no Coworking Aracaju. A previsão é de que a festa siga até 5h30 da manhã. Esse conjunto de detalhes não é periférico; ele define o perfil do evento. Quando uma produção inclui brinquedoteca, por exemplo, está dizendo que não quer ser lida apenas como festa de pista. Quando fala em open food e open bar, sinaliza permanência prolongada e tentativa de conforto. Quando espalha pontos físicos de venda além da internet, demonstra que quer capilaridade, alcance e resposta rápida de públicos distintos. Tudo isso mostra uma mudança importante na forma como entidades de classe passaram a organizar seus grandes encontros: a solenidade fechada cede espaço à experiência expandida, que precisa ser consumível, fotografável, comentável e reconhecível como acontecimento. É por isso que o Forró da Advocacia interessa como pauta. Ele evidencia como o ambiente institucional aprendeu a operar com ferramentas típicas do mercado de eventos e com a gramática emocional do São João. Não há ingenuidade nisso. Há cálculo. E esse cálculo não é necessariamente negativo; ele apenas revela que, no Nordeste, tradição também é estratégia, calendário também é vitrine e festa também é linguagem de poder.

O ponto mais interessante, no entanto, talvez esteja fora do palco. Ao antecipar o forró para 24 de abril, a OAB Sergipe ajuda a empurrar o São João para antes do tempo formal, como já fazem outros eventos que perceberam que o ciclo junino deixou de obedecer apenas ao calendário e passou a obedecer também à disputa por atenção. Quem abre a temporada primeiro, com estrutura, artistas e apelo social, conquista não só público, mas posição simbólica. O Forró da Advocacia entra nessa corrida com uma vantagem e um desafio. A vantagem é ter uma base organizada, institucional e financeiramente capaz de montar uma noite robusta. O desafio é entregar uma experiência que não pareça artificial ou excessivamente corporativa, porque festa popular não se sustenta com verniz. Ela precisa convencer no som, no ambiente e no comportamento do público. Se essa equação funcionar, o evento se consolida como uma ponte eficiente entre a advocacia e a cidade, entre o universo profissional e a cultura nordestina que lhe dá linguagem e pertencimento. Se não funcionar, vira apenas um arraial caro cercado de protocolo. É exatamente nessa fronteira que a edição de 2026 será observada: menos pelo que promete na propaganda e mais pelo que conseguir materializar quando as luzes acenderem, a sanfona entrar e Aracaju decidir se enxerga ali uma festa de categoria ou um evento que, de fato, conseguiu falar com a cidade.

Charlene Bastos

Editora-chefe da revista eletrônica INSTAMag, é uma comunicadora apaixonada por criar conteúdos envolventes, relevantes e informativos para um público dinâmico e conectado. Com olhar estratégico e sensibilidade editorial, lidera a produção com criatividade, autenticidade e compromisso com a qualidade, transformando informação em experiências que informam, inspiram e engajam.

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