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“Simples Assim” chega a Aracaju com humor e reflexões sobre a vida moderna

Inspirada nas crônicas de Martha Medeiros, comédia abre temporada no Teatro Tobias Barreto e transforma dilemas do cotidiano em riso, identificação e pensamento

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“Simples Assim” chega a Aracaju com humor e reflexões sobre a vida moderna
Foto: Divulgação

Aracaju entra no roteiro das grandes montagens nacionais neste fim de semana com a chegada de “Simples Assim”, comédia baseada na obra de Martha Medeiros que ocupa o palco do Teatro Tobias Barreto em curta temporada nos dias 24, 25 e 26 de abril. A peça reúne Alexandra Richter, Georgiana Góes e Pedroca Monteiro em uma montagem que usa o humor como porta de entrada para discutir um tema aparentemente simples, mas cada vez mais complexo: como viver em um tempo marcado por excesso de estímulos, relações aceleradas, ansiedade, tecnologia, cobranças afetivas e uma permanente sensação de que a vida precisa ser resolvida o tempo inteiro. As apresentações acontecem nesta sexta-feira e no sábado, às 20h, e no domingo, às 19h, com classificação indicativa de 12 anos. A montagem chega à capital sergipana como ponto de partida da circulação pelo Nordeste e reforça a presença de Aracaju no mapa das produções teatrais que dialogam com o grande público sem abrir mão de densidade, inteligência e sensibilidade.

O espetáculo parte de crônicas de Martha Medeiros, autora conhecida por transformar pequenas cenas da vida privada em espelhos coletivos. Em vez de apostar em uma narrativa linear, “Simples Assim” se organiza como um mosaico de situações, personagens e encontros que parecem nascer da vida de qualquer pessoa: amores que se confundem, conversas atravessadas pela tecnologia, relações que tentam sobreviver à pressa, expectativas que pesam mais do que deveriam e o estranho cansaço de existir em uma época em que todos parecem estar conectados, mas nem sempre disponíveis. A dramaturgia, assinada por Martha Medeiros em parceria com Rosane Lima, parte de textos como “Quem diria que viver iria dar nisso” e “Simples Assim”, levando ao palco uma comédia que não se limita à piada rápida. O riso aparece como reconhecimento: o público ri porque se vê, porque identifica no exagero da cena uma verdade íntima, porque percebe que a modernidade prometeu facilitar a vida, mas também criou novas formas de solidão, cobrança e ruído. Com direção artística de Ernesto Piccolo, a encenação privilegia a fluidez entre quadros e o trabalho dos atores, que se revezam em múltiplos personagens para dar ritmo, contraste e humanidade às histórias.

A força de “Simples Assim” está justamente em tratar a vida contemporânea sem transformá-la em palestra, tese ou sermão. O espetáculo observa a sociedade pelo detalhe: uma frase mal interpretada, uma mensagem não respondida, um encontro que não acontece como se esperava, um afeto que se perde no meio da rotina, uma tentativa de parecer bem quando tudo está fora do lugar. A comédia funciona porque reconhece que os dramas modernos nem sempre são grandiosos; muitas vezes eles cabem em uma tela de celular, em uma conversa interrompida, em um silêncio dentro de casa ou na dificuldade de admitir que a felicidade virou também uma cobrança social. Nesse sentido, a montagem conversa com públicos diferentes porque não exige que o espectador conheça previamente a obra da autora para se conectar com o que vê. O material nasce da literatura, mas ganha no palco uma dimensão popular, direta e viva, marcada pela presença de três intérpretes que alternam personagens e situações em um jogo cênico ágil. A cenografia de Clívia Cohen, o figurino de Helena Araújo, a iluminação de Felício Mafra e a trilha sonora de Rodrigo Penna completam uma construção que busca equilíbrio entre leveza e reflexão, mantendo o espetáculo acessível sem empobrecer seu conteúdo.

A chegada da peça a Aracaju também chama atenção para um movimento importante da agenda cultural local: a cidade deixa de ser apenas receptora ocasional de atrações nacionais e passa a se afirmar como praça estratégica para turnês, temporadas e projetos de circulação. Quando uma montagem desse porte abre passagem pelo Nordeste a partir da capital sergipana, o gesto tem peso simbólico e econômico. Mobiliza público, movimenta bilheteria, ativa produção local, fortalece o teatro como espaço de encontro e lembra que a experiência presencial continua tendo força mesmo em uma era dominada pelo consumo digital. Ver uma comédia no teatro é diferente de assistir a vídeos curtos em sequência; há uma concentração coletiva, uma respiração comum, um pacto momentâneo entre palco e plateia. Em “Simples Assim”, esse pacto ganha contornos ainda mais interessantes porque o assunto é justamente a vida que todos estão tentando administrar: amar melhor, envelhecer melhor, comunicar-se melhor, sobreviver aos próprios pensamentos e, quem sabe, rir da confusão antes que ela pareça insuportável. Por isso, a peça não chega apenas como opção de entretenimento para o fim de semana, mas como convite para uma pausa. Uma pausa diante do excesso, da pressa e da necessidade permanente de parecer eficiente, feliz e resolvido. O humor, nesse caso, não diminui a reflexão; ele a torna mais humana.

Serviço — “Simples Assim”: o espetáculo será apresentado nos dias 24, 25 e 26 de abril, no Teatro Tobias Barreto, localizado na Avenida Presidente Tancredo Neves, 2209, no bairro Inácio Barbosa, em Aracaju. As sessões acontecem na sexta-feira e no sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. A comédia tem duração aproximada de 75 minutos e classificação indicativa de 12 anos. Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do teatro e pela plataforma de venda online, com valores informados entre R$ 25 e R$ 160, além de opções de meia-entrada para estudantes, professores e pessoas acima de 60 anos, mediante comprovação. A montagem tem texto e adaptação de Martha Medeiros e Rosane Lima, direção artística de Ernesto Piccolo, elenco formado por Alexandra Richter, Georgiana Góes e Pedroca Monteiro, produção e idealização de Gustavo Nunes e produção local da Villela Produções.

Redação

A Redação é o espaço onde a música ganha narrativa, profundidade e contexto. Neste caderno da revista Instamag, nascem reportagens, entrevistas, análises e histórias que atravessam diferentes gêneros, cenas e movimentos culturais, com olhar especial para a produção artística do Nordeste. Aqui, a música é tratada para além do lançamento ou do palco: revelamos bastidores, trajetórias, ideias, personagens e transformações que ajudam a compreender a força, a identidade e a diversidade da cultura musical brasileira.

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