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R$ 240 mil, contratos milionários e vínculo familiar colocam candidatura de André David sob pressão em Sergipe

Candidato ao Senado pelo Republicanos enfrenta questionamentos após apreensão de dinheiro com ex-diretor financeiro da Educação de Aracaju e revelação de contratos de quase R$ 20 milhões com empresa que tem sua cunhada entre os sócios

R$ 240 mil, contratos milionários e vínculo familiar colocam candidatura de André David sob pressão em Sergipe
André David, candidato ao Senado pelo Republicanos, enfrenta questionamentos políticos em meio às investigações envolvendo a Secretaria Municipal da Educação de Aracaju Foto: Reprodução

A disputa pelas duas vagas de Sergipe no Senado Federal ganhou um novo componente de tensão política envolvendo a candidatura do delegado André David, do Republicanos. O episódio começou após a apreensão de R$ 240 mil em espécie com César Costa Azevedo Dias, então diretor de Administração e Finanças da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju, durante uma abordagem realizada em 23 de junho. A quantidade de dinheiro encontrada com um servidor diretamente ligado à gestão financeira da pasta provocou forte repercussão e levou ao aprofundamento das investigações sobre as circunstâncias da apreensão e sobre contratos administrativos mantidos pela Secretaria da Educação. Dias posteriormente deixou o cargo, mas a origem e a destinação dos valores apreendidos ainda permanecem entre os principais pontos que precisam de esclarecimento público.

A controvérsia ganhou maior dimensão política quando passaram a ser analisados contratos de fornecimento de uniformes e kits escolares celebrados pela Secretaria da Educação desde janeiro de 2025. Entre as empresas contratadas aparece a MF Comércio Empreendimentos e Serviços Ltda., que possui entre seus sócios Kaynara Silva Maia, irmã de Rebeka Maia, esposa de André David. Os contratos firmados com a Prefeitura de Aracaju somam aproximadamente R$ 19,57 milhões. O vínculo familiar, por si só, não comprova qualquer irregularidade, favorecimento ou interferência do candidato nos procedimentos administrativos. Também não há, até o momento, demonstração pública de que André David tenha participado das licitações, determinado contratações, recebido vantagem financeira ou mantido qualquer relação com os R$ 240 mil apreendidos. O problema, entretanto, ganhou relevância eleitoral porque o delegado integrou a administração municipal antes de deixar o cargo de secretário da Segurança e Cidadania para disputar uma vaga no Senado.

André David rejeita qualquer tentativa de associá-lo às suspeitas envolvendo a Secretaria da Educação e sustenta que sua antiga pasta não possuía competência sobre licitações ou contratos realizados por outros setores da Prefeitura. O candidato afirma que as secretarias possuíam estruturas administrativas, orçamentos e processos independentes e que não exerceu ingerência sobre as compras realizadas pela Educação. Ao reagir publicamente às acusações, chegou a afirmar que renunciaria à candidatura caso fosse apresentada prova de seu envolvimento em algum ato de corrupção. Até o momento, nenhuma prova dessa natureza foi apresentada publicamente. A Prefeitura de Aracaju também declarou que não tinha conhecimento prévio do vínculo familiar entre uma das sócias da empresa contratada e o então secretário e afirmou não ter identificado indícios de favorecimento ou irregularidade nas contratações realizadas.

Mesmo sem comprovação de participação do candidato em qualquer ilícito, o episódio representa um problema político considerável para uma candidatura construída principalmente sobre a imagem de delegado, autoridade policial e defensor do combate ao crime e à corrupção. André David ganhou projeção por sua atuação na Polícia Civil, posteriormente integrou a gestão da prefeita Emília Corrêa e, em 2022, recebeu mais de 31 mil votos na disputa para deputado federal. Agora, concorre ao Senado em uma eleição especialmente competitiva, na qual Sergipe escolherá dois senadores. Nesse cenário, qualquer questionamento envolvendo integridade administrativa pode ser explorado pelos adversários, principalmente quando atinge diretamente a principal credencial política apresentada pelo candidato. A proximidade com a atual administração municipal e o apoio político de Emília Corrêa tornam inevitável que problemas ocorridos dentro da Prefeitura também produzam repercussões sobre sua campanha.

O caso exige, entretanto, uma separação rigorosa entre fatos comprovados, suspeitas e interpretações eleitorais. A apreensão dos R$ 240 mil não permite concluir que o dinheiro tenha relação com André David, assim como o parentesco entre sua esposa e uma sócia de empresa contratada pelo município não comprova favorecimento. Da mesma forma, a inexistência atual de provas contra o candidato não elimina a necessidade de aprofundar a fiscalização sobre contratos que movimentam quase R$ 20 milhões em recursos públicos. O que precisa ser esclarecido é se os procedimentos obedeceram integralmente às regras legais, se os valores contratados correspondem aos produtos efetivamente fornecidos, se houve competição regular, se os pagamentos seguiram os critérios administrativos e se algum agente público ou político interferiu para beneficiar determinada empresa. Também permanece necessário esclarecer a procedência e a finalidade do dinheiro encontrado com o antigo diretor financeiro da Educação e verificar se existe qualquer conexão entre essa quantia e contratos analisados pelas autoridades.

Politicamente, o episódio coloca André David diante de um dos primeiros grandes testes de sua campanha ao Senado. Seus adversários tendem a utilizar o caso como instrumento de desgaste, enquanto o candidato aposta na ausência de provas contra si e na disposição de desafiar publicamente quem tenta vinculá-lo às investigações. O resultado dessa disputa de narrativas dependerá menos das declarações eleitorais e mais do avanço concreto das apurações. Quem acusa terá de apresentar provas; a administração municipal terá de garantir transparência; e as autoridades responsáveis pela investigação terão de esclarecer completamente o caminho do dinheiro e a regularidade das contratações. Até que novos elementos sejam apresentados, André David permanece sem envolvimento comprovado nas irregularidades investigadas, mas entra na fase decisiva da eleição carregando um questionamento politicamente sensível. Para um candidato cuja principal bandeira está associada à autoridade policial, ao combate ao crime e à defesa da integridade pública, a controvérsia atinge exatamente o ativo que pretende apresentar como diferencial ao eleitor sergipano: sua reputação.

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